Possibilidade do Sentir
19.12.03
 
"Ele" entende que, por um livro ter sido escrito há décadas, isso isenta o autor de responsabilidades morais. Não creio que assim seja. E em resposta à pergunta "dele", não li os livros porque tenho as minhas prioridades e há coisas mais urgentes a ler.
18.12.03
 
Visto finalmente o último filme da trilogia "O Senhor dos Anéis," soube-me a pouco. Os efeitos especiais abundam e não têm falha que se lhes possa apontar mas e o resto? Será que um filme é como uma manta de retalhos dispendiosa em que cada retalho é um pixel de animação digital? E quanto à história, propriamente dita? Tanta referência ao triunfo dos homens bons e justos do Oeste perante os tiranos do Leste é obviamente uma referência ao mundo em que vivemos. E onde estão as mulheres? Relegadas para papéis secundários de serviçais e companheiras. Que Tolkien era misógino parece-me óbvio (sem desprimor para os bons amigos que tenho que são misóginos convictos) mas nesta adaptação contemporânea ao grande écran não terá sido possível usar-se a liberdade artística para o tornar mais adequado à nossa realidade? Pergunto-me, Aragorn não poderia ter sido mulher, mantendo ou potenciando a sua importância como personagem fulcral? E o mesmo vale para Gandalf, Frodo ou até Gollum. A respeito deste último, há algo a dizer. A sua representação no filme é, obviamente, uma evocação do aspecto que o corpo dos doentes com SIDA em estado terminal assume. A demonização era desnecessária, quanto a mim.
 
E o Alexandre tem razão. O frio é mesmo uma questão de opção térmica.
 
Cumprimentos à Lénia e ao Nuno pelas mensagens gentis que me enviaram. Ficam aqui os links para os blogs respectivos.

O Outro Lado da Lua

A Forma do Jazz

E um brinde:

Ricardo Morgado
3.12.03
 
Trasmontana que sou, cedo me habituei ao frio lá fora. Mas nunca me habituarei ao frio dentro dos corações. Passeava ontem pela baixa de Lisboa e vi o actor John Malkovich, presença habitual por estas paragem, a olhar a montra de uma loja de roupa. Não resisti, porque aprecio o seu trabalho há muito, aproximei-me e meti conversa. Perguntei-lhe se não preferia esperar pela época dos saldos que sempre é mais em conta. Ele olhou para mim e, durante breves segundos, parecia que ia dizer qualquer coisa. Depois virou-me as costas e continuou a andar sem uma palavra. A dor sente-se... mas às vezes também se vê.

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